Investigação sobre lavagem de dinheiro foi enviada pela Polícia Federal.
Político é suspeito de receber R$ 300 mil das agências de Marcos Valério
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou nesta terça-feira (10) que recebeu da Polícia Federal (PF) o relatório sobre o indiciamento por lavagem de dinheiro do pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo PSDB, Pimenta da Veiga. Ele é suspeito de receber R$ 300 mil das agências de publicidade de Marcos Valério, condenado pelo mensalão. O G1 tentou entrar em contato com o pré-candidato, mas ele não foi encontrado para comentar o assunto.
O delegado responsável pelo inquérito na Polícia Federal e a assessoria do Ministério Público Federal disseram que a investigação segue em sigilo e que, por isso, não poderiam revelar detalhes.
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Ouvido pelo G1 em abril deste ano, Pimenta da Veiga confirmou ter recebido o valor da agência de publicidade SMP&B, mas que este se refere a pagamento de serviços prestados pelo do escrtiório de advocacia dele, em 2003. "Os pagamentos eram feitos através de depósitos conta corrente. Dois anos depois houve uma devassa na vida da empresa e eu prestei todos os esclarecimentos, que foram satisfatórios na época. O assunto ficou aparentemente resolvido", respondeu.
Pimenta disse que 11 anos depois um inquérito foi aberto "sem nenhum fato novo, sem nenhuma razão". Ele falou ainda que não foi notificado e que nesta quinta-feira vai constituir um advogado para fazer a defesa dele. Pimenta se disse admirado em saber pela imprensa que foi indiciado. Para o pré-candidato, esta acusação é fruto de uma perseguição política.
O MPF em Minas, agora, vai decidir se encaminha ou não processo contra o ex-ministro à Justiça. A apuração da PF contra Pimenta da Veiga foi originada a partir da denúncia oferecida em 2007 pela Procuradoria-Geral da República, com base no inquérito do mensalão tucano.
Quinze pessoas foram denunciadas à época, dentre elas o então deputado-federal Eduardo Azeredo (PSDB), que renunciou em 2014 para se dedicar à sua defesa, o senador Clésio Andrade, também pré-candidato ao governo de Minas pelo PMDB, e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que teve o processo prescrito em janeiro deste ano ao cmpletar 70 anos.
Outro denunciado, o ex-tesoureiro Cláudio Mourão também completa 70 anos em abril deste ano e deve ter seu processo também prescrito.
O processo contra o senador Clésio Andrade permanece no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo foro privilegiado. Os demais, nove pessoas atualmente, serão julgados pela Justiça Mineira, inclusive o ex-deputado Eduardo Azeredo, que perdeu o foro ao renunciar.
Mensalão tucano
De acordo com o Ministério Público, no esquema do mensalão tucano, empresas públicas de Minas Gerais usaram como justificativa eventos esportivos para desviar recursos para a SMP&B, empresa de Marcos Valério. Alguns dos eventos foram o Campeonato Mundial de Supercross Etapa Brasil 1999/2000, o Iron Biker – O Desafio das Montanhas, e o Enduro Internacional da Independência.
Segundo a denúncia, estes eventos foram usados como pretexto para que as estatais Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e o extinto Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) repassassem verba para a agência de publicidade de Marcos Valério e dos dois ex-sócios. Este dinheiro seria usado “clandestinamente” na campanha de reeleição de Azeredo ao governo de Minas. Conforme o Ministério Público Federal, a estimativa é de R$ 3,5 milhões desviados – R$ 9,3 milhões em valores atualizados.
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